Resenha (3)

Asterios Polyp por David Mazzucchelli

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Esse quadrinho conta a história de Asterios, um arquiteto e professor, com pensamentos bem pragmáticos. A narrativa começa quando um incêndio ocorre no prédio onde mora, e ele precisa sair à pressas.

Misturando com memórias e os acontecimentos pós incêndio, vamos conhecendo esse personagem, a chegada da sua família aos Estados Unidos, sobre como ele conhece a esposa, e em como ele não está com ela durante o incêndio.

Meus pensamentos:

Que quadrinho incrível!! O autor usa vários artifícios para caracterizar os personagens, desde o formato dos balões de fala, a fonte utilizada e o traço para desenhar cada um. Isso dá personalidade e singularidade em cada um de uma forma que nunca vi antes. David usa diferentes paletas de cores para retratar momentos separados ou os sentimentos expressados pelos personagens  e é simplesmente um espetáculo! Amei a parte gráfica, não só por ser bonito, mas como ele utilizou cada detalhe para ajudar a contar a história e passar as emoções.

asterios2Como personagem principal, Asterios é o mais bem explorado e é justamente a construção do caráter dele o foco do enredo. Então vamos acompanhar de lembranças a sonhos desse homem arrogante, misógino e intelectual, que encontra uma esposa sensível e humilde, uma artista abstrata. A história não é sobre o romance, mas é parte importante nos acontecimentos.

É difícil explicar sobre o que é, sendo que é sobre tudo. É a vida de uma pessoa (e às vezes sobre outras envolvidas). Asterios Polyp é um pesonagem complexo, e durante o quadrinho é possível ver o poder e complexidade dos relacionamentos, profissão, família e da vida.

Foi uma leitura incrivelmente rica! Assim que terminei fiquei tentando digerir tudo, achando que com o tempo as coisas iam se assentar e eu ia conseguir falar melhor sobre. Mas passou já um tempo, e eu ainda não sei me expressar direito. Terminei com vontade de reler, prestar mais atenção aos detalhes, pois a sensação é que nada está no papel à toa, tudo tem um significado, e se você tiver pressa vai deixar passar algo incrível. Ainda quero reler, mas acho que essa vontade não vai passar. É uma obra-prima. ❤

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Resenha (2)

Fangirl por Rainbow Rowell

FangirlCath está entrando na faculdade, mas ao contrário da sua irmã gêmea Wren, não está muito animada ou feliz com essa mudança. Primeiro porque elas não serão colegas de quarto, e segundo porque foi Wren quem quis que fosse assim. Elas são amigas e dividem muitas semelhanças, mas também são bem diferentes. Cath é introspectiva e tem medo de mudanças, e Wren quer conhecer pessoas novas, viver um pouco sem ter uma irmã gêmea como melhor amiga.

A experiência é traumática para Cath, tanto na vida pessoal quanto acadêmica. Ela quer ser escritora, e em boa parte já acredita ser, pois é a autora da fanfiction mais conhecida da famosa série de livros de Simon Snow. Milhões de pessoas lêem sua versão, mas ainda assim e ela precisa enfrentar medos e inseguranças sobre seu talento, sua profissão e quem é.

Meus pensamentos:

Eu entendo por que muita gente não gosta desse livro. É um livro de romance jovem adulto contemporâneo e bem meloso em algumas partes. Mas eu simplesmente não consegui ver só isso, e gostei bastante!!

O motivo principal é que eu já fui Cath, e mais ou menos do mesmo jeito precisei criar uma independência e ter voz própria. Então quando ela estava sofrendo por não ter amigos, não conseguia compartilhar os sentimentos, teve medo de não ser boa em nada, dentre outras situações em que ela se envolve, eu simplesmente sabia o que ela estava passando. E eu sei que ela sofreu por coisas aparentemente bobas, e muita gente revirou os olhos lendo, mas eu não.

Daí em diante não tinha muito como eu não gostar do livro. Os problemas de Cath vão muito além dessas inseguranças, como ter um pai com problemas psicológicos, e uma mãe ausente que abandonou ela e a irmã quando pequenas. Foi interessante como isso foi aparecendo aos poucos, porque na cabeça de Cath o pior drama no momento é o afastamento da irmã por querer uma liberdade, mas esses assuntos sempre voltam, pois são importantes sim, e são parte do problema como um todo.

A construção e amadurecimento dos personagens feitos pela Rainbow Rowell são incríveis. Li também Eleanor & Park e foi igualmente delicioso de ler e acompanhar. O romance é um pouco infantil, bobo, mas além de ser um livro jovem adulto (mesmo que ela esteja na faculdade)  Cath é meio inexperiente, então acho justificado. Mas a impressão que eu tive mesmo é que são situações típicas dos anos 90. Para quem assistiu Dawson’s Creek, Gilmore Girls ou Barrados no Baile (um pouco mais velho) ou qualquer outro seriado adolescente da mesma época vai identificar situações parecidas.

E por fim, vamos falar sobre o que leva o livro ter esse nome: a fanfiction! É um elemento importante e super presente, mas eu mal falei nele ainda. Primeiro porque acho que o livro é mais do que isso, e muita gente tem preconceito por causa dele. O fato de Cath ser uma escritora de fanfiction, para mim só acrescentou à experiência, porque eu também já escrevi (me julguem) e eu achei o máximo ter uma história sobre isso. Depois que a devoção dela pela escrita, a vontade de sentar à frente do computador e digitar o que é muito real só na mente dela é uma sensação que compartilho. E todas as vezes que ela sentia essa urgência eu senti também, e ler esse livro me deu muita vontade de escrever (não necessariamente fanfics, mas qualquer coisa em geral. Qualquer pessoa que gosta de escrever vai se identificar)!

Eu só acho que não precisava ter tantos trechos transcritos da fanfic de Cath no livro. =/ Apesar de amar o fato dela ser essa escritora, eu realmente não estava muito interessada no romance que ela escreve. Queria saber o que acontecia com ela, com Wren, o pai, os amigos dela… etc.

Enfim, amei o livro, mas sei que não é para todo mundo.

Notas:

  • Escrita: 4
  • Ambientação: 5
  • Personagens: 5
  • Enredo: 4
  • Diversão: 5

estrelas

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Anna Kariênina por Liev Tolstói

É um romance histórico, situado na Rússia séc XIX, escrito da mesma época. Sempre ligado à dualidades (paralelismo, contrastes), duas capitais, capital e campo, aristocracia e trabalhadores (apesar de que no ponto de vista de aristocratas), homem e mulher, religião e ceticismo, intelectual e homem prático, socialismo e capitalismo…

Os dois personagens principais são Anna e Liévin, apesar de não terem nenhuma relação direta, a história envolve o circulo social em comum com os dois, então estão intimamente ligados com os atos um do outro.

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Meus pensamentos:

Deliciosamente escrito. O começo tem uma leitura super fluida, a impressão é que vai passar rápido. Achei muito interessante a apresentação dos personagens, começando centrada em uma pessoa, que se encontra com o outro, e a narrativa passa a focar nesse segundo, e assim por diante. Até Anna ser apresentada.

Como protagonistas, os pensamentos mais detalhados no livro são os deles dois, e são também os seres mais indecisos e confusos que eu já vi/li/presenciei. Estão sempre em conflito com alguma decisão, ou sentimento. Às vezes é interessante, pois mostra como o ser humano é volúvel e confuso, mas quando o conflito se repete constantemente (o livro tem 800 páginas, seria impossível algo não se repetir) ou você acredita que tomaram a decisão, mas na página seguinte mudam de ideia, é um pouco cansativo e irritante.

Fora esses momentos, e o fato que é um livro longo, então tem que ser lido com calma, pois nada vai acontecer de repente (quase tudo), é uma história excelente!!

É dividido em 8 partes, e todas têm mais ou menos o mesmo ritmo, com um começo situando quanto tempo passou e como estão os personagens, algum acontecimento que muda a vida de todos os personagens do núcleo, e algum tipo de resolução no final.

Diversos temas são abordados, família, religião, lealdade, amor (de diferentes tipos, à um parceiro, filho, trabalho, família, terra, estilo de vida, ideologia), política, o papel da mulher, o sentido da vida, morte… Marquei várias passagens interessantes:

Apesar de ter demorado pouco mais de 1 mês para ler, talvez tivesse aproveitado um pouco mais se tivesse lido mais devagar. Absorver tudo que Tolstói quis passar com a obra em tão pouco tempo é injusto e complicado. As oito partes foram sendo publicadas com intervalos entre si, e sendo escritas nesse ínterim.

Sinto também que algumas reflexões fizeram mais sentido então, e hoje temos mais flexibilidade em aceitar diferentes modos de vida (eu pelo menos), mas o conflito principal, que é pelo que a obra é mais conhecida, o adultério de Anna, e as consequências disso são um pouco fora da nossa realidade, então fica muito difícil aturar as angustias dela. A posição na sociedade, o direito de ver o filho do outro casamento, a relutância do marido em dar o divórcio, o tratamento dado pelo amante e o que ele espera dela, tudo isso seria mais simples hoje. Claro que ainda existem conflitos parecidos no mundo atual, mas são gerados por motivos diferentes dos apresentados no livro.

Quanto mais eu penso sobre o livro, mais eu me espanto com o quão rico foi, mesmo a leitura tendo sido penosa algumas vezes. Não recomendo para qualquer pessoa, mas quem gosta do tipo de livro que faz reflexões sobre o cotidiano humano e nossos desejos, virtudes e falhas mais secretos, é uma prato cheio!

Notas:

  • Escrita: 5
  • Ambientação: 5
  • Personagens: 5
  • Enredo: 4
  • Diversão: 4

estrelas

Quem já leu, me conte o que achou! Foi difícil chegar até o fim?

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O Sol é Para Todos por Harper Lee

O que você precisa saber para querer ler?

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A verdade é que eu posso contar tudo sobre o livro e ainda deixar alguém com vontade de ler, porque o interessante não são os acontecimentos em si, mas as reflexões feitas sob a perspectiva de uma garota branca de uma comunidade racista nos anos 50 no sul dos Estados Unidos. Mas o seio familiar da Scout é diferente, e por isso é que seus pensamentos sobre o que ocorre nessa cidade são tão ricos.

Muitas coisas acontecem no decorrer de 2 ou 3 anos, mas o que mais marca o livro é o julgamento de um negro acusado de ter estuprado uma mulher branca, e o pai da Scout é o advogado defensor deste homem.

Posso também não contar nada, e cada linha ser uma descoberta e surpresa.

Meus pensamentos:

Interessante como ao contar uma história aparentemente boba no começo, a autora vai dando o tom da ambientação racista, que é o foco do livro, de uma maneira tão sutil, que quem não souber do que o livro se trata não vai nem perceber as indicações.

Muita gente me disse que a história começa com esse caso do estupro. Mas para mim a história não começa aí. Essa é uma história de uma menina que está crescendo (dos 6 aos 8 anos mais ou menos) questionando o mundo e as decisões e atitudes das pessoas que a cercam. Existe a reflexão sobre o racismo e a discriminação daqueles que são contra a igualdade racial? Sim, mas o julgamento só acontece do meio para o final do livro, apesar de estar presente enraizado na sociedade e se apresentar indireta ou diretamente durante toda a leitura. Mas eu acho que é mais do que isso. É a aceitação das pessoas como elas são. Sobre o que a sociedade espera das mulheres (meninas) e como isso não faz sentido. Em como as oportunidades são diferentes de acordo com o meio que se nasce (e infelizmente em como se nasce).

Desde o começo a maior tensão gira em torno de Boo Radley, um vizinho recluso, que gera uma curiosidade típica infantil, cheia de especulações fantásticas, brincadeiras e desafios. Scout, o irmão Jem e o amigo Dill têm uma enorme vontade de ver ao mesmo tempo que têm medo de passar pela calçada da casa dele, pois as crianças tendem a ter medo do que não conhecem. E esse mistério está sempre presente, mesmo quando coisas mais importantes estão acontecendo.

Eu amei o fato de ser contado por uma menina e não um menino, por que além de Scout ser mais livre de preconceitos em comparação a outros personagens, (ela vai amadurecendo esse traço ao longo de livro) ela também questiona sobre “o papel da mulher” e o que esperam dela e ser uma “senhora”. Claro que a temática do racismo é mais forte, mas eu vi muitas outros questionamentos, como quando apareceu o cão raivoso na rua e o fim que isso teve, ou o incêndio na casa da vizinha… (sem spoilers)

A metáfora do “matar um tordo” kill a mockingbird é muito mais ampla que o racismo e como sinto que a temática principal não é só a aceitação dos negros, acho que a tradução de “O Sol é Para Todos” é uma ótima síntese do sentimento geral: aceitar as pessoas como elas são.

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Notas:

  • Escrita: 5
  • Ambientação: 5
  • Personagens: 5
  • Enredo: 5
  • Diversão: 5

estrelas

Me conte o que você achou! =)

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O Perfura Neve por Lob, Rochette e Legrand

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Uma catástrofe meteorológica acontece repentinamente, obrigando as pessoas a buscarem refúgio. Convenientemente um trem, feito para passeios de luxo no estilo cruzeiro transatlântico, está pronto para partir em uma estação (na Rússia?). Na hora do embarque há confusão, e entram mais pessoas que previsto.

O perfura-neve com seus mil e um vagões é ocupado por todas as classes sociais, de forma segregada, como uma escala de poder e dinheiro, com os últimos vagões apinhados de gente, sem recursos ou conforto. A história começa quando um dos habitantes do fundo consegue escapar para alguns vagões à frente, mas então é preso.

Até aí a história promete muitas coisas; de aventuras, à discussões políticas e reflexões quanto à segregação social e o desejo de mudança e igualdade. Mas foi tudo abordado de forma rasa, com uma cronologia confusa, e os personagens, na maioria das vezes, tomam atitudes que não me parecem condizentes com seus caracteres. Aliás, em alguns casos não os compreendi de forma alguma. Me parece que os autores queriam que a história chegasse em um determinado ponto, mas não souberam construir personagens e acontecimentos que fossem críveis para isso. Ficou forçado.

A segunda história conta sobre outro trem, desbrava-gelo, que sabe da existência do perfura-neve e tem medo de colidir com ele por andar nos mesmos trilhos, ou assim nos é apresentado. A construção dos personagens e enredo neste é bem melhor. Há um mistério, e é mais fácil compreender as ações dos personagens. Ainda é muito problemática a passagem de tempo, mas acho que acostumei, ou fiquei distraída com a história em si e me incomodou menos.

Existe ainda uma terceira história, mas é muito conectada com os acontecimentos da parte anterior, e como foi feita pelos menos dois autores (legrand/rochette) diferente do primeiro, que inclusive a arte é diferente (lob/rochette), sinto como se fosse uma única história e as críticas são as mesmas.

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No geral, dá pra fazer várias alusões ao nosso cotidiano, e em como deixamos algumas pessoas tomar decisões sobre o rumo das nossas vidas, muitas vezes negligenciando os menos favorecidos em detrimento de um bem maior, que na verdade ninguém sabe exatamente qual é. Algumas decisões são deliberadamente conscientes de estar fazendo mal, mas são pessoas egoístas, em outras há pessoas bem intencionadas, mas isso não muda muita coisa.

Uma ótima idéia, um pouco mal executada. Os estilos são ambos muito interessantes, gostei dos traços.

Notas:

  • Escrita: 4
  • Ambientação: 4
  • Personagens: 3
  • Enredo: 2
  • Diversão: 4

estrelas

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O Hobbit por JRR Tolkien

O que você precisa saber para querer ler?

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Se você ainda não sabe o que é um hobbit, não vou estragar a experiência de deixar o Tolkien fazer as honras. A descrição dessas adoráveis criaturas e sua natureza pacata é contrastada com a aventura em que Bilbo se envolve inesperadamente.

Um grupo de anões aparece inadvertidamente à sua porta para organizar e fechar um contrato para que Bilbo seja o ladrão do grupo, e recupere um tesouro importante para o reinado dos anões.

Para quem quer conhecer a Terra Média na forma de livro é o melhor jeito de começar. O Hobbit foi escrito para os filhos de Tolkien, então é um infanto-juvenil, com uma escrita deliciosa e simples. É de um bom-humor sem igual.

Meus pensamentos:

Li a primeira vez há muito tempo, e lembro de ter amado. Logo em seguida li a trilogia do Senhor dos Anéis, e foi igualmente incrível, mas eu era criança, então O Hobbit me atingiu de forma mais especial, pois eu fazia parte do público alvo. Se eu tivesse lido O Senhor dos Anéis primeiro, talvez tivesse desistido, pois lembro de ter achado algumas passagens um pouco cansativas.

Depois de anos de todas essas leituras, vieram os filmes, as versões estendidas, depois a trilogia (?) do Hobbit, e nem me atrevo a assistir a versão estendida da versão estendida que são os filmes baseados nesse livro. Não houve necessidade de alongar, e eu fiquei tão confusa com os acontecimentos que resolvi reler, e voltar a me apaixonar. (ainda mais fácil com essa edição linda a qual não resisti)

Missão cumprida! ❤

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Não consigo explicar como a narrativa do Tolkien é ao mesmo tempo simples e rica neste livro. Contada em terceira pessoa, mas sob a perspectiva de Bilbo, nosso hobbit aventureiro, e assustado (um pouco medroso), que se vê envolvido nessa jornada que não planejou, mas que na verdade é o seu desejo mais íntimo. Ver o mundo, conhecer seres e povos diferentes, se arriscar e sentir que tem valor. Confiar e ser confiado a grandes responsabilidades.

É engraçado como é difícil falar sobre algo que gosto muito. Seria mais fácil discorrer sobre o livro se tivesse encontrado defeitos ou coisas que me incomodaram ou que não compreendi. Mas nada disso ocorre com essa história. Os personagens são super relacionáveis, engraçados, profundos… O mundo é cheio de detalhes, somos apresentados a tantas espécies e seres, mas ao mesmo tempo sabemos que existem muito mais a ser descoberto.

Quem já jogou algum RPG (bom) na vida deve se deliciar em como os personagens se juntam sob o mesmo objetivo, e as motivações que os impulsionam a continuar. Aqui não é diferente. Mesmo tendo a impressão que Bilbo não quer se envolver com a aventura dos anões no começo, você é convencido junto com ele. Gandalf, no papel do melhor mestre do jogo que já existiu, um mentor, que some e aparece das horas certas (ou erradas). É fácil compreender até os vilões, que são outros personagens com objetivos e histórias de vida diferentes, mas igualmente bem construídos.

Simplesmente um dos meus livros preferidos!

Notas:

  • Escrita: 5
  • Ambientação: 5
  • Personagens: 5
  • Enredo: 5
  • Diversão: 5estrelas

E aí, alguém já leu? Me conte o que achou! Até + DSC_0531

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A Máquina de Xadrez por Robert Löhr

Sinopse

A_Maquina_de_XadrezInspirado em uma história verídica de um autômato (boneco articulado à corda) que conseguia “pensar” e jogar xadrez, este livro fantasia sobre acontecimentos e intrigas envolvendo essa máquina, que na verdade foi uma farsa, escondia um anão perito em xadrez e que o controlava.

Ambientado em países do Leste Europeu, Áustria e Eslováquia, no século XVIII, a história é focada na criação do autômato nomeado de O Turco, e nas relações entre o seu criador, o barão Wolfgang von Kempelen, e o anão que é a alma do Turco.

O conflito envolve a nobreza, jogos de interesse, luxúria, vingança e o suspense da descoberta da farsa da máquina invencível de xadrez.

Minha Visão Geral

A premissa é muito interessante, a ambientação é bem feita, mas não é um livro regular, tendo uma parte extremamente monótona e outras com acontecimentos mais interessantes. Algumas cenas tinham diálogos forçados, e nem sempre fui convencida por certas decisões dos personagens. Os personagens foram bem construídos a ponto de você achar que os tinha conhecido, mas aí ele toma uma decisão que não faz muito sentido, aí parece que o autor força alguns acontecimentos, pois ele quer levar a história para um lugar, mas não soube levar naturalmente.

É um livro bom, mas não pretendo reler, e não acho que todos vão gostar.

Notas:

  • Escrita: 3
  • Ambientação: 4
  • Personagens: 4
  • Enredo: 3
  • Diversão: 3estrelas

E aí, alguém já leu? Me conte o que achou! Até +

1

A Jornada do Escritor por Christopher Vogler

Sinopse

A_Jornada_do_EscritorO livro ‘A jornada do escritor’, de Christopher Vogler, busca enumerar ao leitor todas as etapas de construção de personagens e situações necessários para se escrever uma boa história. Para isso, o autor usa estruturas míticas bastante conhecidas como base para o seu roteiro de escrita. O livro é dividido em três seções. A primeira descreve cada uma das personagens que são essenciais para qualquer tipo de história. A segunda propõe estágios ou situações primárias para que a narrativa tenha boa fluência até o final. Por fim, o epílogo faz um resumo da viagem e os apêndices usam ‘A jornada do escritor’ para analisar roteiros de filmes de sucesso como ‘Titanic’, ‘Guerra nas estrelas’ e ‘Pulp Fiction – Tempo de violência’. Christopher Vogler propõe ao leitor que crie novos caminhos para a sua própria jornada de escritor. Com este objetivo, ao fim de cada capítulo há uma seção com perguntas para o pleno entendimento e aplicação dos conceitos utilizados por Vogler, a fim de que o escritor seja bem-sucedido em sua viagem que é escrever.”

Minha Visão Geral

Esse é um livro técnico para o auxílio na construção do enredo de uma história. Ele se baseia na Jornada do Herói de Joseph Campbell, que é bem conhecido por quem escreve ou teoriza sobre essa construção.

Para quem não sabe nada sobre o assunto (como eu estava antes, rs) é bem esclarecedor, mas acredito que existam outros livros melhores sobre o assunto. Essa divisão em três seções é redundante, porque ele repete demais as informações, desnecessariamente. A parte que ele usa os exemplos é bem mais interessante, mas só vale se você já assistiu os filmes, primeiro para poder entender melhor, e depois porque é spoiler um atrás do outro, inclusive revelando os finais emocionantes, rs!

Quem se interessar sobre o assunto aconselho pesquisar mais sobre os livros parecidos e procurar um mais voltado para a mídia desejada, e um mais bem recomendado.

Notas:

  • Escrita: 4
  • Ambientação: não se aplica
  • Personagens: não se aplica
  • Enredo: nesse caso, conteúdo: 3
  • Diversão: 2estrelas

E aí, alguém já leu? Me conte o que achou! Até +

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A Tempestade por William Shakespeare

SinopseA_Tempestade

“‘A tempestade’ é considerada a obra mais pessoal e ousada de Shakespeare. Relata a história de Próspero, duque de Milão, traído pelo próprio irmão e banido para uma ilha na companhia da filha. Depois de 12 anos no exílio, Próspero, uma espécie de mago, cria uma tempestade que faz naufragar o navio que leva seus desafetos, e pode finalmente colocar em prática a sua vingança.”

Minha Visão Geral

Já li outras peças de Shakespeare, mas essa não foi a minha preferida, apesar de ainda ter gostado. Quis ler essa, pois tem uma citação bem famosa que é uma das minhas preferidas que é: “Somos feitos das mesmas substâncias dos sonhos!”

É uma história de vingança, então é bem angustiante, mas como tudo de Shakespeare é trágico e dramático. Para quem gosta do gênero de peças eu super recomendo!

Notas:

  • Escrita: 5
  • Ambientação: não se aplica (é uma peça não tem descrição do ambiente)
  • Personagens: 5
  • Enredo: nesse caso, conteúdo: 4
  • Diversão: 3estrelas

E aí, alguém já leu? Me conte o que achou! Até +

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A Arte da Guerra por Sun Tzu

Sinopse

ArquivoExibir

“‘A Arte da Guerra’ é um dos clássicos mais influentes do pensamento oriental sobre estratégia. Esta é a edição completa que nos traz com excelência os ensinamentos do general chinês Sun Tzu através dos treze capítulos originais, que a cerca de 2500 anos influencia o mundo dos negócios.”

Minha Visão Geral

É um livro muito antigo, e não conta uma história com começo, meio e fim. São frases de sabedoria, quase como aqueles livros de “Pensamento do Dia” ou algo parecido.

Muitas frases são super interessantes, e apesar de a maioria dar como exemplo um campo de batalha mesmo, falando sobre terreno alto, montes e baixios, é fácil fazer uma associação do mundo moderno. Achei que algumas eram repetitivas, mas no geral foi bem interessante. Como é bem curto, acho que vale a leitura.

Notas:

  • Escrita: 4
  • Ambientação: não se aplica
  • Personagens: não se aplica
  • Enredo: nesse caso, conteúdo: 4
  • Diversão: 3estrelas

E aí, alguém já leu? Me conte o que achou! Até +