O Perfura Neve por Lob, Rochette e Legrand

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Uma catástrofe meteorológica acontece repentinamente, obrigando as pessoas a buscarem refúgio. Convenientemente um trem, feito para passeios de luxo no estilo cruzeiro transatlântico, está pronto para partir em uma estação (na Rússia?). Na hora do embarque há confusão, e entram mais pessoas que previsto.

O perfura-neve com seus mil e um vagões é ocupado por todas as classes sociais, de forma segregada, como uma escala de poder e dinheiro, com os últimos vagões apinhados de gente, sem recursos ou conforto. A história começa quando um dos habitantes do fundo consegue escapar para alguns vagões à frente, mas então é preso.

Até aí a história promete muitas coisas; de aventuras, à discussões políticas e reflexões quanto à segregação social e o desejo de mudança e igualdade. Mas foi tudo abordado de forma rasa, com uma cronologia confusa, e os personagens, na maioria das vezes, tomam atitudes que não me parecem condizentes com seus caracteres. Aliás, em alguns casos não os compreendi de forma alguma. Me parece que os autores queriam que a história chegasse em um determinado ponto, mas não souberam construir personagens e acontecimentos que fossem críveis para isso. Ficou forçado.

A segunda história conta sobre outro trem, desbrava-gelo, que sabe da existência do perfura-neve e tem medo de colidir com ele por andar nos mesmos trilhos, ou assim nos é apresentado. A construção dos personagens e enredo neste é bem melhor. Há um mistério, e é mais fácil compreender as ações dos personagens. Ainda é muito problemática a passagem de tempo, mas acho que acostumei, ou fiquei distraída com a história em si e me incomodou menos.

Existe ainda uma terceira história, mas é muito conectada com os acontecimentos da parte anterior, e como foi feita pelos menos dois autores (legrand/rochette) diferente do primeiro, que inclusive a arte é diferente (lob/rochette), sinto como se fosse uma única história e as críticas são as mesmas.

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No geral, dá pra fazer várias alusões ao nosso cotidiano, e em como deixamos algumas pessoas tomar decisões sobre o rumo das nossas vidas, muitas vezes negligenciando os menos favorecidos em detrimento de um bem maior, que na verdade ninguém sabe exatamente qual é. Algumas decisões são deliberadamente conscientes de estar fazendo mal, mas são pessoas egoístas, em outras há pessoas bem intencionadas, mas isso não muda muita coisa.

Uma ótima idéia, um pouco mal executada. Os estilos são ambos muito interessantes, gostei dos traços.

Notas:

  • Escrita: 4
  • Ambientação: 4
  • Personagens: 3
  • Enredo: 2
  • Diversão: 4

estrelas