Fangirl por Rainbow Rowell

FangirlCath está entrando na faculdade, mas ao contrário da sua irmã gêmea Wren, não está muito animada ou feliz com essa mudança. Primeiro porque elas não serão colegas de quarto, e segundo porque foi Wren quem quis que fosse assim. Elas são amigas e dividem muitas semelhanças, mas também são bem diferentes. Cath é introspectiva e tem medo de mudanças, e Wren quer conhecer pessoas novas, viver um pouco sem ter uma irmã gêmea como melhor amiga.

A experiência é traumática para Cath, tanto na vida pessoal quanto acadêmica. Ela quer ser escritora, e em boa parte já acredita ser, pois é a autora da fanfiction mais conhecida da famosa série de livros de Simon Snow. Milhões de pessoas lêem sua versão, mas ainda assim e ela precisa enfrentar medos e inseguranças sobre seu talento, sua profissão e quem é.

Meus pensamentos:

Eu entendo por que muita gente não gosta desse livro. É um livro de romance jovem adulto contemporâneo e bem meloso em algumas partes. Mas eu simplesmente não consegui ver só isso, e gostei bastante!!

O motivo principal é que eu já fui Cath, e mais ou menos do mesmo jeito precisei criar uma independência e ter voz própria. Então quando ela estava sofrendo por não ter amigos, não conseguia compartilhar os sentimentos, teve medo de não ser boa em nada, dentre outras situações em que ela se envolve, eu simplesmente sabia o que ela estava passando. E eu sei que ela sofreu por coisas aparentemente bobas, e muita gente revirou os olhos lendo, mas eu não.

Daí em diante não tinha muito como eu não gostar do livro. Os problemas de Cath vão muito além dessas inseguranças, como ter um pai com problemas psicológicos, e uma mãe ausente que abandonou ela e a irmã quando pequenas. Foi interessante como isso foi aparecendo aos poucos, porque na cabeça de Cath o pior drama no momento é o afastamento da irmã por querer uma liberdade, mas esses assuntos sempre voltam, pois são importantes sim, e são parte do problema como um todo.

A construção e amadurecimento dos personagens feitos pela Rainbow Rowell são incríveis. Li também Eleanor & Park e foi igualmente delicioso de ler e acompanhar. O romance é um pouco infantil, bobo, mas além de ser um livro jovem adulto (mesmo que ela esteja na faculdade)  Cath é meio inexperiente, então acho justificado. Mas a impressão que eu tive mesmo é que são situações típicas dos anos 90. Para quem assistiu Dawson’s Creek, Gilmore Girls ou Barrados no Baile (um pouco mais velho) ou qualquer outro seriado adolescente da mesma época vai identificar situações parecidas.

E por fim, vamos falar sobre o que leva o livro ter esse nome: a fanfiction! É um elemento importante e super presente, mas eu mal falei nele ainda. Primeiro porque acho que o livro é mais do que isso, e muita gente tem preconceito por causa dele. O fato de Cath ser uma escritora de fanfiction, para mim só acrescentou à experiência, porque eu também já escrevi (me julguem) e eu achei o máximo ter uma história sobre isso. Depois que a devoção dela pela escrita, a vontade de sentar à frente do computador e digitar o que é muito real só na mente dela é uma sensação que compartilho. E todas as vezes que ela sentia essa urgência eu senti também, e ler esse livro me deu muita vontade de escrever (não necessariamente fanfics, mas qualquer coisa em geral. Qualquer pessoa que gosta de escrever vai se identificar)!

Eu só acho que não precisava ter tantos trechos transcritos da fanfic de Cath no livro. =/ Apesar de amar o fato dela ser essa escritora, eu realmente não estava muito interessada no romance que ela escreve. Queria saber o que acontecia com ela, com Wren, o pai, os amigos dela… etc.

Enfim, amei o livro, mas sei que não é para todo mundo.

Notas:

  • Escrita: 4
  • Ambientação: 5
  • Personagens: 5
  • Enredo: 4
  • Diversão: 5

estrelas

fangirl

O Sol é Para Todos por Harper Lee

O que você precisa saber para querer ler?

sol-para-todos

A verdade é que eu posso contar tudo sobre o livro e ainda deixar alguém com vontade de ler, porque o interessante não são os acontecimentos em si, mas as reflexões feitas sob a perspectiva de uma garota branca de uma comunidade racista nos anos 50 no sul dos Estados Unidos. Mas o seio familiar da Scout é diferente, e por isso é que seus pensamentos sobre o que ocorre nessa cidade são tão ricos.

Muitas coisas acontecem no decorrer de 2 ou 3 anos, mas o que mais marca o livro é o julgamento de um negro acusado de ter estuprado uma mulher branca, e o pai da Scout é o advogado defensor deste homem.

Posso também não contar nada, e cada linha ser uma descoberta e surpresa.

Meus pensamentos:

Interessante como ao contar uma história aparentemente boba no começo, a autora vai dando o tom da ambientação racista, que é o foco do livro, de uma maneira tão sutil, que quem não souber do que o livro se trata não vai nem perceber as indicações.

Muita gente me disse que a história começa com esse caso do estupro. Mas para mim a história não começa aí. Essa é uma história de uma menina que está crescendo (dos 6 aos 8 anos mais ou menos) questionando o mundo e as decisões e atitudes das pessoas que a cercam. Existe a reflexão sobre o racismo e a discriminação daqueles que são contra a igualdade racial? Sim, mas o julgamento só acontece do meio para o final do livro, apesar de estar presente enraizado na sociedade e se apresentar indireta ou diretamente durante toda a leitura. Mas eu acho que é mais do que isso. É a aceitação das pessoas como elas são. Sobre o que a sociedade espera das mulheres (meninas) e como isso não faz sentido. Em como as oportunidades são diferentes de acordo com o meio que se nasce (e infelizmente em como se nasce).

Desde o começo a maior tensão gira em torno de Boo Radley, um vizinho recluso, que gera uma curiosidade típica infantil, cheia de especulações fantásticas, brincadeiras e desafios. Scout, o irmão Jem e o amigo Dill têm uma enorme vontade de ver ao mesmo tempo que têm medo de passar pela calçada da casa dele, pois as crianças tendem a ter medo do que não conhecem. E esse mistério está sempre presente, mesmo quando coisas mais importantes estão acontecendo.

Eu amei o fato de ser contado por uma menina e não um menino, por que além de Scout ser mais livre de preconceitos em comparação a outros personagens, (ela vai amadurecendo esse traço ao longo de livro) ela também questiona sobre “o papel da mulher” e o que esperam dela e ser uma “senhora”. Claro que a temática do racismo é mais forte, mas eu vi muitas outros questionamentos, como quando apareceu o cão raivoso na rua e o fim que isso teve, ou o incêndio na casa da vizinha… (sem spoilers)

A metáfora do “matar um tordo” kill a mockingbird é muito mais ampla que o racismo e como sinto que a temática principal não é só a aceitação dos negros, acho que a tradução de “O Sol é Para Todos” é uma ótima síntese do sentimento geral: aceitar as pessoas como elas são.

Mockingbird

Notas:

  • Escrita: 5
  • Ambientação: 5
  • Personagens: 5
  • Enredo: 5
  • Diversão: 5

estrelas

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